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Agenda 2030, o Brasil e os municípios

Nos últimos dias 12 e 13 de dezembro, em Brasília/DF, ocorreram duas oficinas que contaram com profissionais ligados ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES e outros profissionais ligados a ONG´s e ao ensino superior.

Com o público-alvo formado em um dos dias por agentes públicos de 80 municípios brasileiros e no outro dia por universitários, indivíduos da sociedade civil organizada (além de contar na mesa de discussões com um representante do PNUD) e com o auditório aberto ao público em geral, os assuntos chave foram: meios de se financiar a implementação da Agenda 2030 no Brasil, principalmente nos municípios brasileiros.

Discursos e números espetaculares, demostrativos de montantes de financiamento disponíveis para ações ligadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, explanação da situação financeira deplorável que projetos de ensino e extensão das universidade brasileiras passam nos últimos anos, apontamento de responsabilidades também da iniciativa privada e da sociedade civil organizada, mas em ambos os eventos não foi respondida a pergunta de outro: COMO ACESSAR OS RECURSOS DISPONÍVEIS PARA PROJETOS LOCAIS?

Tive a oportunidade de participar de ambos os eventos e conferir a resposta desta inquietude em ambos (um com meu questionamento, outro com o questionamento de um grande amigo), e em ambas as ocasiões os interlocutores rodearam, usaram de subterfúgios linguísticos, números mágicos, promessas de melhoria dos sistema de acesso e accountability (resumidamente, composto de indicadores que permitam avaliar a efetividade e eficiência dos projetos).

Possuímos técnicos com vícios dos nossos maus políticos, com amplo domínio da demagogia e nenhuma sensibilidade e/ou conhecimento dos reais problemas da população brasileira e dos técnicos que estão na ponta do sistema buscando atender as necessidades mínimas com recursos extremamente precários).

Os agentes públicos de linha de frente deverão desenvolver soluções extremamente criativas e eficientes no atual e futuro cenário brasileiro (com ou sem interferências políticas diretas). Os recursos financeiros se tornarão ainda mais escassos, as Parcerias Público-Privadas serão exacerbadas (o que merece grande atenção para a grande pressão aos cofres públicos), os recursos naturais serão ainda mais explorados em nome de um desenvolvimento econômico “inevitável”.

Como agiremos em um cenário onde grande parte dos atores nos vê com maus olhos (seja como funcionário público, seja como indivíduo que deseja a melhoria para todos)?

Como nos comportaremos em nosso dia a dia, sabendo que nossas palavras e ações são supervisionadas por “fiscais ideológicos” nos rotulando como “capitalistas” ou “comunistas”?

Como nos manteremos éticos e profissionais?

Questões incômodas, com respostas respostas variadas e indigestas.

*Fonte da imagem: http://rastroslagartenses.blogspot.com/2017/03/o-homem-vilao-do-meio-ambiente.html

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Irrigado por Cledir Soares

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